"L’homme qui, ce matin-là, se réveille, désorienté, dans une chambre inconnue est à l’évidence âgé. Il ne sait plus qui il est, il ignore pourquoi et comment il se retrouve assigné à résidence entre les quatre murs de cette pièce, percés d’une unique fenêtre n’ouvrant que sur un nouveau mur et d’une porte qui, pour lui demeurer invisible, doit bel et bien exister puisque des “visiteurs” vont la franchir… Sur un bureau, sont soigneusement disposés une série de photographies en noir et blanc, deux manuscrits et un stylo.Qui est-il ? Et que lui veulent ses interlocuteurs, dont cette Anna qui lui donne du “Mr Blank” et lui parle de comprimés, d’un traitement en cours, mais aussi, étrangement, d’amour et de promesses ? Une journée se passe, lors de laquelle les “visiteurs” qui se présentent reprochent au vieil homme de les avoir jadis envoyés accomplir de mystérieuses et périlleuses missions dont certains sont revenus irrémédiablement détruits. Et cependant qu’entre deux vertiges, corps et mémoire en déroute, Blank interroge des souvenirs qui refusent de se laisser exhumer, qu’il cherche dans le manuscrit l’hypothèse d’une explication, une caméra et un micro enregistrent le moindre geste, les moindres bruits de cette chambre où il subit son ultime et interminable épreuve… "17.1.07
"L’homme qui, ce matin-là, se réveille, désorienté, dans une chambre inconnue est à l’évidence âgé. Il ne sait plus qui il est, il ignore pourquoi et comment il se retrouve assigné à résidence entre les quatre murs de cette pièce, percés d’une unique fenêtre n’ouvrant que sur un nouveau mur et d’une porte qui, pour lui demeurer invisible, doit bel et bien exister puisque des “visiteurs” vont la franchir… Sur un bureau, sont soigneusement disposés une série de photographies en noir et blanc, deux manuscrits et un stylo.Qui est-il ? Et que lui veulent ses interlocuteurs, dont cette Anna qui lui donne du “Mr Blank” et lui parle de comprimés, d’un traitement en cours, mais aussi, étrangement, d’amour et de promesses ? Une journée se passe, lors de laquelle les “visiteurs” qui se présentent reprochent au vieil homme de les avoir jadis envoyés accomplir de mystérieuses et périlleuses missions dont certains sont revenus irrémédiablement détruits. Et cependant qu’entre deux vertiges, corps et mémoire en déroute, Blank interroge des souvenirs qui refusent de se laisser exhumer, qu’il cherche dans le manuscrit l’hypothèse d’une explication, une caméra et un micro enregistrent le moindre geste, les moindres bruits de cette chambre où il subit son ultime et interminable épreuve… "14.1.07
"j'ai détesté mme daret. j'ai détesté le son de sa voix, ses façons et sa sale manie d'avoir toujours des chouchous. mais j'ai appris à lire parece que voulais fabriquer l'hippopotame en boite d'oeufs de la page 124."
in 35 kilos d'espoir, anna gavalda, bayard jeunesse
4.1.07
"je profite de son absence pour interroger mon portabe. aucun message.
bien sûr.
suis-je bête.
suis-je bête... "
"je me disais: allez, il faut pleurer une bonne fois pour toutes. tarir les larmes, presser l'éponge, essorer ce grand corps triste et puis tourner la page. penser à autre chose. mettre un pied devant l'autre et tout recommencer."
in je l'aimais, anna gavalda, le dilettante
19.12.06

« os livros mudam o destino da vida das pessoas. uns leram « o tigre da malásia » e converteram-se em professores de literatura em remotas universidades. « siddartha levou ao hinduísmo dezenas de milhares de jovens, hemingway converteu-os em desportistas, dumas transtornou a vida de dezenas de milhares de mulheres e não poucas foram salvas do suicídio por manuais de cozinha. bluma foi vítima deles.
mas, não a única. o velho professor de línguas antigas leonard word ficou hemiplégico ao levar na cabeça com cinco volumes da enciclopédia britânica, que se desprenderam da estante da sua biblioteca ; o meu amigo richard partiu uma perna ao tentar chegar ao « absalão, absalão ! » de william faulkner, mal colocado numa estante, o que o levou a cair da escada. outro amigo de buenos aires adoeceu de tuberculose nos sotãos de um arquivo público e conheci um cão chinelo que morreu de indigestão com « os irmãos karamazov » depois de devorar as suas paginas numa tarde de fúria (…) »
13.12.06
Ana Teresa Pereira, A neve

Acrescentem-se as flores, os scones, cidades sem nome, anjos e alguns demónios... são assim os contos de Ana Teresa Pereira.
4.12.06

"e quando a solidão se tornava insuportável, ele apareceu. na verdade fui eu que o procurei, sem saber o que fazia, no nevoeiro e na chuva, perto do mar. há muito tempo, quando o inverno começava."
"leu uma página do livro, uma edição de bolso de "o monte dos vendavais" sentiu o cheiro da urze e olhou para fora, para os campos na escuridão."
"chegaram a uma praça com árvores sem folhas, arbustos escondidos pela neve, alguns bancos de madeira; no centro havia uma fonte e o silêncio adensava-se à sua volta, como acontece às vezes com as fontes e os poços."
"atravessou a praça com uma sensação de irrealidade, e naquele momento a neve começou a cair, flocos pequenos deslizavam à sua volta e transformavam a noite. rose ergueu o rosto e sentiu os flocos de neve na pele muito fria e depois um cansaço enorme."
"havia algumas pessoas na praça coberta de neve, e o sol brilhava palidamente num céu azul muito claro, quase sem nuvens. imaginou a praça na primavera, com pequenas flores brotando no canteiro, e depois a chuva, e o sol, respirou o ar fresco com uma alegria nova, fechou a porta, e foi à procura dele."
in "a neve" ana teresa pereira, relógio d'água
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29.11.06

la bibliothécaire, sophie avon, arléa
27.11.06
"Há uma hora, há uma hora certaque um milhão de pessoas está a sair para a rua.
Há uma hora, desde as sete e meia horas da manhã
que um milhão de pessoas está a sair para a rua.
Estamos no ano da graça de 1946
em Lisboa, a sair para, o meio da rua.
Saímos? Mas sim, saímos!
Saímos: seres usuais, gente
gente! olhos, narinas,
bocas,
gente feliz, gente infeliz, um banqueiro, alfaiates,
telefonistas, varinas, caixeiros desempregados
uns com os outros, uns dentro dos outros
tossicando, sorrindo, abrindo os sobretudos, descendo
aos mictórios para apanhar eléctricos,
gente atrasada em relação ao barco para o Barreiro
que afinal ainda lá estava apitando estridentemente,
gente de luto, normalmente silenciosa
mas obrigada a falar ao vizinho da frente
na plataforma veloz do eléctrico, em marcha,
gente jovial a acompanhar enterros
e uma mãe triste a aceitar dois bolos para a sua
menina.
Há uma hora, isto: Lisboa e muito mais.
Humanidade cordial, em suma,
com todas as consequências disso mesmo
e a sair a sair para o meio da rua.
E agora, neste momento que horas são?
a telefonista guarda o batom na mala pousa os auscultadores ligam electricamente Lisboa a Santarém
e começou o dia
o pedreiro escalou para o telhado mais alto e cantou
qualquer coisa
para começar o dia
o banqueiro sentou
se, puxou de um charuto cubano,
pensou um bocado na família
e começou o dia
a varina infectou a perna esquerda nos lixos da
Ribeira
e começou o dia
o desempregado ergueu-se, viu chuva na vidraça,
e imaginou-se banqueiro
para começar o dia e o presidiário, ouvindo a sineta das nove,
começou o seu dia sem dar início a coisa alguma (...)"
há uma hora, há uma hora certa, mário cesariny
21.11.06
"Com o tempo, o ovo se tornou um ovo de galinha. Não o é. Mas, adoptado, usa-lhe o sobrenome. – Deve-se dizer “o ovo da galinha”. Se eu disser apenas “o ovo”, esgota-se o assunto, e o mundo fica nu. – Em relação ao ovo, o perigo é que se descubra o que se poderia chamar de beleza, isto é, sua veracidade. A veracidade do ovo não é verosímil. Se descobrirem, podem querer obrigá-lo a se tornar rectangular. O perigo não é para o ovo, ele não se tornaria rectangular. (Nossa garantia é que ele não pode: não poder é a grande força do ovo: sua grandiosidade vem da grandeza de não poder, que se irradia como um não querer.) Mas quem lutasse por torná-lo rectangular estaria perdendo a própria vida. O ovo nos expõe, portanto, em perigo. Nossa vantagem é que o ovo é invisível. E quanto aos iniciados, os iniciados disfarçam o ovo."
Clarice Lispector, O ovo e a galinha
Convidada a participar no Congresso Mundial de Bruxaria, na Colômbia, Clarice Lispector limitou-se à leitura do conto O ovo e a galinha. “Conto que é misterioso mesmo para mim. Um texto hermético e incompreensível. Cheio de uma simbologia secreta”, declarou.
Anos mais tarde, dizia o escritor Otto Lara Resende ao biógrafo de C.L., José Castello: "Você deve tomar cuidado com Clarice. Não se trata de literatura, mas de bruxaria."
16.11.06

in, os Cinco Voltam à Ilha, Enid Blyton
Há tempos prometi relembrar outro saudoso piquenique de infância. A promessa cumpre-se agora, até para contrariar a chuva que insiste em nos roubar o Verão. No entanto, ao reler esta passagem, que à época me fazia salivar, duas interrogações chegam de imediato: Como é que um chão de uma gruta é agradável e como é que eu salivava perante a descrição de sandes de carne enlatada? Estou velha...
10.11.06
6.11.06
eu já desconfiava, mas ainda assim quis tentar perceber por que razão há tantos franceses interessados neste livro...o livro chama-se "rendez-vous", mas podia chamar-se a vida sexual entediante de christine angot...
sem interesse, vulgar e gratuito...
5.11.06
31.10.06

in, Jerusalém, Gonçalo M. Tavares
Se em todas as dietas da alma tivessemos esta vontade, seriamos muito mais esbeltos...
27.10.06
"tu n'as pas de coeur, l'entendis-je dire dans mon dos. 18.10.06
"Há sujeitos que não gostam de fazer coisa nenhuma senão estar a olhar para uma nuvem. Eu considero esses tipos utilíssimos, porque ninguém sabe o que sairá dali. Não se conta aquela história de que a lei da gravitação apareceu por ter caído uma maçã na cabeça do Newton? Não era obrigatório que o Newton estivesse a estudar matemática na altura em que lhe caiu a maçã na cabeça...podia estar a dormir debaixo da árvore, ou qualquer coisa assim, eu sei lá!"Agostinho da Silva, em conversa com Gil de Carvalho e Manuel Hermínio Monteiro
"Ir à Índia sem abandonar Portugal"
16.10.06
jerémi parte à procura da sua filha, tendo como única referência uma fotografia, que guarda no bolso.de annecy a genebra, de genebra a paris, de paris a lisboa e de lisboa à tailândia... ele encontra magdalena, a sua filha, nas 4 últimas páginas do livro... parece-me que afinal ele tinha mais vontade de viajar do que encontrá-la...
la course du chevau-léger, jacques a. bertrand, julliard
8.10.06
"je n'oublierai jamais les jours qui précédèrent notre départ. c'etait "l'été indien" et les feuilles d'un vert sans éclat se mettaient à flamber dans des tons orangés, rouges, jaunes et cramoisis" "les gens chez qui tu habites doivent être vraiment très riches et très gentils. j'ai tellement peur que tu m'oublies. grand-mère est décédée, elle est morte le lendemain de votre départ (...)
je n'en croyais pas mes yeux. j'avais l'impression de lire la lettre de quelqu'un d'autre. cette lettre ne m'était pas destinée. grand-mère ne pouvais pas mourir et abandonner grand-père. ils étaient faits l'un pour l'autre. quand deux personnes vont si bien ensemble, il ne faut pas que l'une d'elles quitte l'autre comme ça sans prévenir".
in un été indien, truman capote, rivages





