30.9.08
17.2.08

… loiça de esmalte, cestinhos com flores secas, tartes de maça, scones, frasquinhos de compotas com tocas de papel kraft ou papel de manteiga, bocais de frutos, garrafas de vidro às cores com rolhas de cortiça, por vezes com azeite, outras com licores, outras ainda simplesmente para pôr água, loiça de barro pintada em tons de pastel e já com falhas, flores secas presas pelo pé na parede… para ler e sobretudo ver em qualquer altura, mas vejo-me bem folheá-los em dias de verão quando chove e cheira a terra molhada ou no início do Outono…
… a pensar nas latas de atum português “bom petisco”… fico sempre com pena de as deitar fora, acho-as tão bonitas… neste livro “les petites boites” há ideias originais para reciclar as latas de conserva, utilizando-as para servir entradas ou mesmo pratos… lindo, visualmente e delicioso!
ps. espero que este post não seja lido em tom de reunião da tupperware
23.10.07
in o mandarim, eça de queirós (da leitura diaria)
8.10.07

"il n'était pas le japonais type. ainsi, il avait énormément voyagé, mais seul et sans appareil photo."
"- pourquoi tes compatriotes s'attroupent-ils jamais autant qu'à l'étranger?
- ils aiment voir les gens differents d'eux et pouvoir, au même instant, se rassurer en côtoyant leurs semblables"
in ni d'eve ni d'adam, amélie nothomb, albin michel
18.8.07
"bizarrement camille ne me manquait pas. nous étions éloignés; nous existions en parallèle. nous nous étions appris par coeur. c'était trop. plus rien à découvrir, plus rien à espérer. représailles immédiates. les qualités avaient épuisé leur crédit. les défauts de l'un n'avaient plus de secrets pour l'autre. lourd passif. nous n'étions même plus capables de nous décevoir." in pension alimentaire, eric neuhoff, albin michel

" Ficámos apenas com duas gatinhas que báptizamos com o nome de Maria e Nevada. Muito travessas, de vez em quando resolviam fazer uma visita aos vizinhos, não lhes deixando a relva e os vasos no melhor estado. Certa vez, saltaram o muro, foram pela garagem e apareceram-me em casa, deliciadas, com uma posta de bacalhau que, pelo belo aspecto devia ser da Noruega."
© Eu, Carolina. A História Verdadeira - Ed. Dom Quixote
Ainda hoje me interrogo, o que terá acontecido à bela posta de bacalhau norueguesa.Terá também sucumbido carbonizada à beira da piscina? Só me resta a esperança, que o tal filme que aí vem, lhe faça a devida justiça...
25.7.07
24.7.07
« quand ils s’arrêtèrent essoufflés pour s’appuyer contre un mur, il lui glissa dans les mains un petit bouquet de violettes. elle n’eut pas besoin de les regarder pour savoir qu’il les avait volées, comme si elle avait assisté à la scène. Les fleurs contenaient l’été tout entier, avec ses ombres et ses lumières gravées dans les feuilles, et elle en pressa toute la fraicheur contre sa joue. »11.7.07

"com as mãos agarradas à cintura dele, tombando para a direita e para a esquerda como sobre um cavalinho que voasse, corríamos e corríamos sem parar. correndo, sentia as pernas do meu tio girarem, e a sua camisa encher de ar, à medida que corríamos. e a terra a mover-se e a passar. mas até onde correríamos nós? acaso poderíamos correr indefinidamente assim? se não, porque não?”
in, a instrumentalina, lidia jorge, publicações dom quixote
22.4.07

Os Três Pratos
"Quando o camponês descobriu que a sua mulher o traiu, obrigou-a a preparar a mesa para três. E durante o resto da vida comeram contemplando, diante deles, o terceiro prato vazio."
Do poeta que escreveu imagens para Fellini, Antonioni e Theo Angelopolus, fica a exemplar refeição.
8.4.07

"Uma menina que se preza deve, para evitar a banalidade das demonstrações muito expansivas, mostrar-se sóbria nêste capitulo do beijo. (...) Entre nós vai, felizmente, caindo em desuso o beijo na rua e em público, e bom seria que totalmente se abolisse".
"O papel que compete a uma menina é o de observadora. Descansem as meninas, nunca será demasiado tarde para darem a entender quem sabem alguma coisa. A sociedade prefere que não saibam muito".
"Agora, minhas meninas, deixem-me dizer-lhes ainda o que tanta vez terão certamente ouvido: desconfiem do rapaz da moda. (...) Cautela com o janota, com o amador de cavalos ou de cães, cautela com êsses especialistas!".
"Guia mundano das meninas casadoiras"
Condessa de Gencé
Livraria Editora Cuimarães & C.ª
21.3.07
é o acaso da morte de luca que vai suscitar uma série de questões na vida de anna morante que até aí não se tinham posto. e se ele não tivesse morrido, continuariam eles a ter uma "vida normal"?
22.2.07
Grandes Portugueses
" Mas o mais curioso nas relações entre o ditador e o cozinheiro era o negócio dos frangos e dos ovos. D. Maria, a governanta do governante, tinha uma grande criação de animais de capoeira nos jardins de S. Bento e fazia negócio com eles. Um dos seus fregueses certos, para os ovos e os franguinhos, era João Ribeiro, reconhecedor da boa qualidade dos produtos. Como bom beirão, o preço era sempre regateado. Certa vez, ao assistir à cena, Salazar que, aliás, gostava de visitar a criação ao fim da tarde, interveio em favor da sua dama e solicitou ao cozinheiro que abrisse mais os cordões à bolsa. Dois beirões em confronto, Chefe contra chefe, claro que o segundo acabou por anuir e dessa vez D. Maria recebeu mais uns patacos. Fraquezas de um poderoso, pequenezas num Portugal dos pequeninos."In, O livro de Mestre João Ribeiro, com introdução biográfica de José Quitério
Deixo um conselho de investimento público e um excelente livro de receitas.
Quanto ao Grande Português, mais depressa seria o Mestre, que o Chefe dos ovos...
17.1.07
"L’homme qui, ce matin-là, se réveille, désorienté, dans une chambre inconnue est à l’évidence âgé. Il ne sait plus qui il est, il ignore pourquoi et comment il se retrouve assigné à résidence entre les quatre murs de cette pièce, percés d’une unique fenêtre n’ouvrant que sur un nouveau mur et d’une porte qui, pour lui demeurer invisible, doit bel et bien exister puisque des “visiteurs” vont la franchir… Sur un bureau, sont soigneusement disposés une série de photographies en noir et blanc, deux manuscrits et un stylo.Qui est-il ? Et que lui veulent ses interlocuteurs, dont cette Anna qui lui donne du “Mr Blank” et lui parle de comprimés, d’un traitement en cours, mais aussi, étrangement, d’amour et de promesses ? Une journée se passe, lors de laquelle les “visiteurs” qui se présentent reprochent au vieil homme de les avoir jadis envoyés accomplir de mystérieuses et périlleuses missions dont certains sont revenus irrémédiablement détruits. Et cependant qu’entre deux vertiges, corps et mémoire en déroute, Blank interroge des souvenirs qui refusent de se laisser exhumer, qu’il cherche dans le manuscrit l’hypothèse d’une explication, une caméra et un micro enregistrent le moindre geste, les moindres bruits de cette chambre où il subit son ultime et interminable épreuve… "14.1.07
"j'ai détesté mme daret. j'ai détesté le son de sa voix, ses façons et sa sale manie d'avoir toujours des chouchous. mais j'ai appris à lire parece que voulais fabriquer l'hippopotame en boite d'oeufs de la page 124."
in 35 kilos d'espoir, anna gavalda, bayard jeunesse
4.1.07
"je profite de son absence pour interroger mon portabe. aucun message.
bien sûr.
suis-je bête.
suis-je bête... "
"je me disais: allez, il faut pleurer une bonne fois pour toutes. tarir les larmes, presser l'éponge, essorer ce grand corps triste et puis tourner la page. penser à autre chose. mettre un pied devant l'autre et tout recommencer."
in je l'aimais, anna gavalda, le dilettante
19.12.06

« os livros mudam o destino da vida das pessoas. uns leram « o tigre da malásia » e converteram-se em professores de literatura em remotas universidades. « siddartha levou ao hinduísmo dezenas de milhares de jovens, hemingway converteu-os em desportistas, dumas transtornou a vida de dezenas de milhares de mulheres e não poucas foram salvas do suicídio por manuais de cozinha. bluma foi vítima deles.
mas, não a única. o velho professor de línguas antigas leonard word ficou hemiplégico ao levar na cabeça com cinco volumes da enciclopédia britânica, que se desprenderam da estante da sua biblioteca ; o meu amigo richard partiu uma perna ao tentar chegar ao « absalão, absalão ! » de william faulkner, mal colocado numa estante, o que o levou a cair da escada. outro amigo de buenos aires adoeceu de tuberculose nos sotãos de um arquivo público e conheci um cão chinelo que morreu de indigestão com « os irmãos karamazov » depois de devorar as suas paginas numa tarde de fúria (…) »
13.12.06
Ana Teresa Pereira, A neve

Acrescentem-se as flores, os scones, cidades sem nome, anjos e alguns demónios... são assim os contos de Ana Teresa Pereira.
4.12.06

"e quando a solidão se tornava insuportável, ele apareceu. na verdade fui eu que o procurei, sem saber o que fazia, no nevoeiro e na chuva, perto do mar. há muito tempo, quando o inverno começava."
"leu uma página do livro, uma edição de bolso de "o monte dos vendavais" sentiu o cheiro da urze e olhou para fora, para os campos na escuridão."
"chegaram a uma praça com árvores sem folhas, arbustos escondidos pela neve, alguns bancos de madeira; no centro havia uma fonte e o silêncio adensava-se à sua volta, como acontece às vezes com as fontes e os poços."
"atravessou a praça com uma sensação de irrealidade, e naquele momento a neve começou a cair, flocos pequenos deslizavam à sua volta e transformavam a noite. rose ergueu o rosto e sentiu os flocos de neve na pele muito fria e depois um cansaço enorme."
"havia algumas pessoas na praça coberta de neve, e o sol brilhava palidamente num céu azul muito claro, quase sem nuvens. imaginou a praça na primavera, com pequenas flores brotando no canteiro, e depois a chuva, e o sol, respirou o ar fresco com uma alegria nova, fechou a porta, e foi à procura dele."
in "a neve" ana teresa pereira, relógio d'água
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