15.9.06




A Aranha

"E a aranha não tem patas; não são patas: são talheres. Substitutos do garfo e da faca. São talheres as patas da aranha, e neles há uma colher para comer o doce que é a massa encefálica dos insectos capturados. É mesmo assim: à colher. De chá.
A aranha dança em bicos de pés depois do estômago cheio, contente da vida negra.
Os talheres negros da aranha mexem no alimento com perícia. São pauzinhos chineses, e com habilidade ela os move, aos pretos pauzinhos. Aos pretos e sádicos pauzinhos.
Mas a aranha continua a existir; portanto também deve amar. Mas isso, nunca vi."

in, Nove insultos a nove animais, Gonçalo M. Tavares
Ilustração - Rachel Caiano
(Conto incluído nas Quatro histórias com Barão - homenagem a Branquinho da Fonseca)

A mim ensinaram-me que não se matam aranhas para não afastarmos a riqueza, talvez por isso sejam tão boas
gourmets. E quem se diverte assim à mesa, ama infinitamente...

11 comentários:

Z disse...

Só me apraz dizer: é tão liiiiiindo

z disse...

....e à comida sempre voltamos...

Mushroomdeluxe disse...

A comer sempre estaremos!

António disse...

Olá!
Um bom post do qual o prato principal é o imaginativo texto de GMT.
Obrigado pela visita e pela música de jazz (especialmente o saxofone).

Abraço

APC disse...

É um belo blog que aqui está! Que eu não conhecia, mas passei a conhecer e gostei muito.

r. disse...

A avaliar pela beleza das teias, dedicação à comida não lhes falta...

Mushroomdeluxe disse...

Cara R.
Quando se servem bons pratos, estendem-se as melhores toalhas de renda...

Agradecem-se as leituras e os elogios!

inominável disse...

adoro os contos que publicas aqui. inspiradores e... expiradores!

BlueShell disse...

Não te conhecia....Gostei!

beijo azul...de uma concha que ...por ser azul...é diferente das demais!

BlueShell

david disse...

O tema da comida é recorrente. Contos exemplares sobre repastos igualmente exemplares?
Bjs!

Mushroomdeluxe disse...

Todos os meus posts são gastronomico-literários. A linha editorial salva a linha do biquini... E daí talvez nem tanto!